domingo, agosto 16, 2009

Ilusões

Enfrentei o acaso
Era jovem, não sabia.
Tentei vencê-lo com sonhos
Espadas de papel, castelos de cartas
Sem equilíbrio, desmoronaram
Frente a meus olhos assustados
Sonhos de um futuro que não mais existiria.
Transformei-os em planos,
Tolamente acreditei conseguir assim
A solidez necessária
Castelos de areia
Sem fundação, esfacelaram-se
Entre meus dedos trêmulos
Planos para um destino que jamais pôde existir
Desiludida, converti-os em certezas.
Iludi-me pensando ser capaz
De fixar em concreto
O futuro.
Inutilmente tentei
Vencer o acaso
Lográ-lo em seu próprio jogo
Apenas para assitir minhas certezas ruírem
Certezas de uma posteridade inexistente.
Aprendi uma lição, espero
Se o acaso é meu mestre,
Pouco adianta negar
Resta-me, desiludida, aceitar
E oferecer ao Caos
Meus sonhos, meus planos, minhas certezas
E quem sabe assim,
Ao cair da noite, manter um pouco de todos eles.
Assim, aceito-o como guia.
Até a próxima batalha
Em minhas fortalezas de algodão.

Isabelle
16/08/09

Um bom resumo de como uma romântica inveterada lida com suas decepções ao longo da vida.
Desilusão, decisão de não mais se machucar, não mais planejar, não mais sonhar, situações comuns na vida desses românticos crônicos.
Até a próxima vez.

segunda-feira, agosto 03, 2009

Explicações

A vida clama a explicação.
Se não há porquê, não há razão.
Não há razão de ser.
Mas nem tudo tem de ser assim.
Querem descobrir a razão de tudo
Para tudo deve haver uma explicação.
Genética, astronomia, física quântica, neurologia.
Todas em busca das mesmas explicações coerentes.
Racionalizando o mundo
Matando a magia
Destruindo a fantasia
Um dia conseguirão.
Explicarão o último grande mistério da vida.
Matarão a última fada.
Quem colorirá o mundo então?

Isabelle
03/08/09

Nota mental: achar o dicionário.
A repetição infindável das palavras "razão" e "explicação" me incomoda. E a você? De resto, esse poema me agrada. Sim, a eterna luta entre ciência e misticismo está decidida. Ciência wins. Mas será isso necessariamente uma boa coisa?

sábado, maio 16, 2009

Mundo imóvel

A garrafa, a mesa
Uma conversa trivial
Dois copos
Duas mãos que se encontram
A conta, por favor
Ainda não,
Essa noite não pode acabar
A horas passam,
A manhã chega
O tempo não passa,
Essa noite não pode acabar
Um beijo,
O mundo não gira mais
O tempo imóvel
Pois essa noite não pode acabar
Amanhã o mundo volta a girar
Amanhã a vida clamará por atenção.
Mas que importa o amanhã?
Neste momento as horas não correm
Importa o agora.
O futuro somos nós quem fazemos.

Isabelle
14/05/09

Esse poema foi escrito meio no susto, num guardanapo, mas enfim, resolvi que não vou ser mais tão crítica em relação aos meus poemas. Já escrevi tanta coisa ruim, que é um pouco difícil que eu consiga me superar em relação a isso algum dia. Estabeleço uma relação mais emocional que racional com meus poemas. Não gosto deles por serem bem escritos. Gosto por contarem uma história que me agrada, por um verso bem feito ou uma palavra bem escolhida, por terem sido gerados de uma boa idéia (ainda que terrivelmente excutados), por saírem bem diferentes da intenção inicial, ou simplesmente por estarem terminados. Neste eu gosto da história por ele contada. Essa cena, que poderia se passar em apenas algumas horas ou em toda uma vida. Não era a mnha intenção quando eu escrevi, mas depois de escrito, encontrei essa nova interpretação. Não surgiu depois que eu terminei o poema, simplesmente esta lá. Simplesmente é.

sexta-feira, maio 15, 2009

Fortuna

Um encontro fortuito.
Acaso?
Um convite trivial.
Oportunidade.
Uma convivência natural.
Ventura?
Uma simples empatia.
Circunstância.
O inesperado previsível.
Destino?
O maravilhoso imprevisível.
Nosso futuro somos nós quem fazemos.

Isabelle
26/11/08

Simplesmente gosto desse poeminha. Gosto mesmo. De como ele está estruturado, da história que ele conta, da oposição entre os versos, do verso final... Naturalmente não gosto da escolha de palavras, essa maldita dificuldade em escolher palavras que acaba deixando todos os meus poemas com um quê meio artificial. Mas dentro das minha possibilidades e limitações, está bastante bom.

quinta-feira, abril 30, 2009

Anos e anos, se passaram, mas a mania por poemas pílulas não passou. Não sei o que exatamente me agrada neles.
Talvez o fato de não precisarem de grandes explicações. E tudo soa bem em apenas 10 linhas. No mínimo soam simpáticos, por não cansarem ninguém.
Bem, um lado positivo isso tem. Caso algum dia eu consiga realizar a minha pretensão de ser uma escritora e quiserem lançar uma coletânea com os meus poemas, pelo menos não serão gastas muitas árvores. ;)

Reforma Ortográfica

E esta agora!
Reformam-me a escrita!
Não sabia que estava estragada.
A ortografia antiga passa a estar errada
O certo antigo passa a ser errado
O errado antigo passa a ser certo também?

Isabelle
13/04/09

Pois então! Deste poeminha eu decididamente gostei. Tem um ar meio despretensioso, abre mão de falar dos grandes temas, abre mão das metáforas, figuras de linguagem e de sintaxe. Mas justamente por isso é tão simpático.
Em tempo: eu NÃO sou contra a reforma ortográfica, não acho que estão empobrecendo a língua portuguesa ou algo do gênero. Foi apenas uma brincadeirinha sem grandes aspirações.

Nada e tudo

Por nada e por tudo
Por razão nenhuma
Por todas as razões do mundo
Sabe-se lá porque
Sabe-se lá o que

Isabelle
13/04/09

Não perguntem. Mesmo. Não faço idéia de onde surgiu isso. Foi o primeiro de muitos que surgiram no intervalo de 1 hora numa segunda-feira a noite, diria até que foi ele quem abriu a torneirinha lírica.
Sei o que ele gerou (os outros poeminhas datados do mesmo dia que aqui estão, btw) mas não faço idéia de o que o gerou.

Dança

E a vida é uma dança
Ciranda, samba, tango e bolero
Quadrilha, polca, frevo e valsa
Lenta ou veloz,
Seguindo a música
Segundo o compasso
Jamais deixando de girar

Isabelle
13/04/09

Há muito tempo tento esse poema, comparando a vida à música, ou à dança. Este saiu bem diferente da idéia original, mas ao menos consegui terminá-lo, o que já é um grande avanço ante a seus predecessores.

Formigas

Bela menina
Sentada na varanda
Observa formigas
"Terão família?
Pai, mãe, vó, tio?
Saberão da minha existência?
Posso eu também ser uma formiga para alguém..."
Entorna o copo de água sobre as formigas
Pega sua boneca e vai embora

Isabelle
13/04/09

É mais uma descrição de uma cena que um poema propriamente dito (aliás, eu vivo sempre no limiar, graças a essa minha mania de não rimar), mas ainda assim...
Esse primeiro verso me incomoda sobremaneira. Mas pouco importa. Fica assim mesmo. Não sei se dá para entender a lógica interna dele sem que eu explique, mas ainda assim... Eu sei é que o achei um pouco depressivo, mas ainda assim, válido.

segunda-feira, outubro 20, 2008

E eis que depois de quase um ano sem postar eu decubro que a template deu pau.
E começa a busca por uma nova template. A única condição é que ela seja tão leve e tão cítrica quanto suas duas antecessoras.

Vejamos se eu consigo cosertá-la.

segunda-feira, novembro 19, 2007

Ser

És livre.
Podes voar,
Estar onde quiseres quando bem te convires.
Vês tudo que queres.
De tudo sabes.
Ouves pensamentos 
como se fossem ditos a ti em alto e bom tom.
Mas não vives como eu.
Não conheces o prazer de se esquentar ao sentir frio.
Não entendes o sabor ínsipido da água.
Não riste uma boa gargalhada.
Nunca sentiste a chuva ensopar-te
Não, jamais compreenderás os prazeres do ser.
Fica com tua liberdade do não-ser.
Renuncio a ela.
Fico presa ao chão, tu dizes.
Pois fico.
E a cada rosto, conhecido ou não
Reconheço-me, pois são como eu.
Limitados, dizes.
Mal sabes que vivemos em cada um,
basta querermos.
Basta querermos para sermos cada um que passa em nosso caminho.
Infinitas possibilidades.
E nessa unicidade múltipla, experimento a uma só vez
todos os prazeres do ser e a liberdade do não ser
sem deixar de ser.
Mas ao contrário, sendo ainda mais,
pois torno-me completa agora.

Isabelle.
19/11/07

Salto

Enquanto caio, sinto não a minha queda,
mas a queda de todos do mundo.
E é impossível não amá-los.
tão pequenos e solitários
tão frágeis.
Como eu.
Frágeis e inseguros.
Têm medo da queda.
Têm medo de saltar.
Mas esquecem-se que apenas saltando alcançarão o mais alto.
esquecem-se que apenas com a queda alcançarão o alívio
de estar de volta ao chão.

Não sinto mais medo da queda.
pois na queda, encontro o chão.
e no chão, apoio para um novo salto.
E se dobrar bem os joelhos,
se conseguir bastante impulso,
talvez consiga chegar ainda mais alto.
E ver ainda mais longe.
E no instante segunte,
cair.
E na queda, sentir a queda de todos do mundo mais uma vez.
Sinto suas dores, em mim.
E é por isso que não esqueço de dobrar os joelhos ao cair.
Pois o mesmo chão que me alivia de minha queda,
fere-me se eu deixar.
E não posso deixar, pois em minha queda há a dor de todos do mundo.
e seus anseios,
e seus desejos.

Venha comigo.
Dobre os joelhos, para um bom impulso.
salte.
Estique-se, para chegar mais alto.
E sinta a vertigem de cair.
Sinta-se parte de cada um do mundo
mas não se distraia.
Não se esqueça do chão.
ele aproxima-se mais e mais
antes que você espere.
Não se esqueça de dobrar os joelhos novamente.
Como uma reverência,
como fez para deixá-lo, você faz novamente para reencontrá-lo.
E livrar-se da vertigem embriagante da queda.

Isabelle
18/11/07

segunda-feira, outubro 08, 2007

Não sei quantas almas tenho

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.

Fernando Pessoa

sábado, julho 28, 2007

Cinco anos depois, aquela febre de lirismo que assola todos adolescentes em algum momento, a atingiu.
E a menina esqueceu sua promessa. Escreveu mais um poema.
Teve a impressão de que o poema rangia se fosse lido muitas vezes. Como tudo que permanece sem uso durante muito tempo. E tinha certeza que não era sua imaginação. Não importava quantas vezes o passasse a limpo, nada tirava dele aquele ar meio empoeirado, meio embolorado.
Percebeu que sua escrita estava a o mesmo tempo com a ferrugem natural do que é antigo e a aspereza das coisas novas que ainda não foram polidas.
Mas gostou mesmo assim. Tinha algo de agradável na repetição quase infantil do mesmo verso. Na escolha meio óbvia do título. No tema já tão saturado, mas ao mesmo tempo tão inesgotável. As estrofes, em quartetos, davam um ar de cantiga ao poeminha. Sim, não restava dúvidas. Apesar de sua simplicidade havia algo de simpático nele.
Tal qual a coruja, que acreditava serem seus filhotes os mais belos do mundo; ela também, tomada, de surpresa, por um amor àqueles frágeis versinhos, sentiu-se orgulhosa.
E então, cometeu o erro fatal. Mostrou-o a mais alguém. Que fique registrado, que a pessoa a quem foi mostrado a pequeno poema também estava então tomada pela febre de lirismo. Achou-o também agradável, bonito até. Veio então o parecer. "Bonito. De onde você tirou?"
Ela sabia que devia-se sentir orgulhosa. Aquela pessoa achara seu poema digno de figurar entre aquelas dignas poesias presentes em coletânes e antologias. Mas não sentiu nada disso. Sentiu apenas a face enrubrescer. Não entendeu o sentimento que a tomou. Não era vergonha. Seria raiva? Não.
Apenas sentiu-se de volta àquela segunda semana de abril, há cinco anos atrás.

terça-feira, julho 17, 2007

Voltamos no tempo. Para um momento na segunda semana de abril, há 9 anos atrás.
A tarefa era simples. Escreva uma redaçãosobre o descobrimento do Brasil. Quinze linhas. Fácil. Ela nunca tivera dificuldades para escrever textos. Não uma, mas ao menos três idéias originais brotaram em sua mente no momento. Sugeriu duas delas às amigas. E guardou para si a que mais lhe agradava. (Sabe como é, mesmo aos 9 anos de idade, não era imune ao egoísmo)
Ainda na escola, na hora do recreio, sentou-se para escrever.
Do ponto de vista da caravela. Um poeminha. Simples. Mas agradável.
Dois dias depois, a hora da verdade. Só esperava um sorriso da professora quando esta lhe entregasse a nota. Nada mais.
Não só não obteve o sorriso como também ouviu algo inesperado.
O poema já existia! Datava da infância de sua professora. Ela não entendeu do que estava sendo acusada. Não tinha como imaginar. Mas estava sendo acusada de plágio.
Duas frases depois, duas insinuações depois, percebeu, entendeu.
Sem compreender como isso era possível, baixou os olhos para a carteira.
Uma lágrima escorreu por seu rosto e caiu na mesa verde-água. Duas agora.
A professora viu as lágrimas. Interpretou-as como arrependimento.
A amiga ao lado, como vergonha. O amigo ao outro lado, raiva perante a injustiça.
Mas apenas ela sabia que enquanto essas duas lágrimas escorriam, uma promesssa estava sendo feita.
Jamais escreveria um poema novamente. Jamais passaria por aquele momento novamente. Jamais daria razão para ser tão injustamente acusada. Ou tão duramente criticada.
Passou os 5 anos que se seguiram sem escrever um poema sequer.
Passou os 5 anos que se seguiram sem escrever uma linha que não fosse absolutamente necessária.
Mal sabia ela, isso não impediria as acusações injustas. Nem as críticas.

sábado, julho 14, 2007

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Fernando Pessoa

terça-feira, julho 03, 2007

Sempre que tiver a impressão de auto-conhecimento, desconfie.
É balela.

segunda-feira, abril 02, 2007

Saudades e razões



Nem sempre entendemos as razões.
Muitas vezes nos parece absurdo e ilógico.
Mas nem sempre nos cabe entender. Devemos compreender e aceitar. Por mais difícil que pareça.
Carlinhos desencarnou. Não entendo porque. Não me parece lógico. Não quero aceitar.
Mas não posso mudar esse fato.
Sei que a vida tem que continuar. Sei que ele também sente saudades. Mas o nosso amor o encoraja a seguir em frente. Aprendendo, crescendo e trabalhando no bem. Assim como o seu amor nos encoraja. Encoraja a acreditar que a vida continua. Nos encoraja a viver apesar da saudade.
Sei que Carlinhos continua conosco. Mas embora possamos sentir sua presença, não podemos mais brincar e fazer piadas com ele. E isso fere o coração.
Mas sei também que essa separação não é eterna nem definitiva. Daqui a algum tempo estaremos juntos novamente, brincando, aprendendo, trabalhando juntos.
E tampouco aconteceu sem motivos. Nem sempre conseguimos entender o porquê. Mas nunca devemos acreditar que ele existe.

Tenho um pedido a fazer para vocês. Por favor, rezem pelo Carlinhos. E pela família dele. É um momento difícil. Muito difícil. E nossas orações com certeza ajudarão Carlinhos nesse momento de transição. E ajudará sua família nesse momento de desolação.

Carlos Henrique Silva Boechat. Esse foi o nome de Carlinhos. Um menino de 12 anos. Mas um espírito imortal. De milhares de anos. Cuja missão dessa vez foi curta.
Carlinhos... Um dia nos encontraremos novamente...

sábado, março 31, 2007

Digressão - ou Sobre os Meus Erros



"O que realmente importa não é quantas vezes nos vemos, mas quantas vezes pensamos uns nos outros." (K.H. II)

Dizem que sumo. Que desapareço. Sou relapsa.
É bem possível que eu mereça mesmo todas essas acusações.
Mas que posso fazer? Sei que esse meu jeito de ser machuca aqueles que são mais próximos. Justamente os que mais se preocupam em não me machucar.
Acreditem, não faço por mal. Ao mesmo tempo que passo meses sem procurar aqueles que mais amo, não consigo passar um dia sem pensar neles.
Não posso prometer que mudarei e não farei mais isso. Mudanças não são tão simples assim. E não farei promessas sem saber que posso cumpri-las.
Assi, termino esse post meio sem propósito. Com a impressão de que ele terminou antes de começar.
E ele fica sendo então apenas isso.
Não uma justificativa, nem uma promessa de mudança.
Apenas um pedido de desculpas.

terça-feira, março 13, 2007

Angels Without Wings



Há muito tempo atrás - milênios, talvez eras - , num mundo diferente desse que conhecemos, duas amigas escreveram num caderno três palavras.
Naquele momento não sabiam que aquelas três palavras ficariam para sempre em seus corações.
Angels Without Wings.
Era assim que se sentiam. Anjos. Seres feitos para a imensidão. Mas sem asas. E, portanto, presos ao chão.
O tempo passou, o mundo mudou, elas mudaram. Mas as três palavras continuam marcadas em seus corações.
E agora, com o mundo mudado e o tempo passado, perguntam-se porque, naquele dia tiraram despreocupadamente as asas dos anjos.
Pois o que mais almejam nesse momento são asas. Para vencer a distância gigantesca que aparentemente as separa.